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NaBocaDaNoite
 

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E foi assim quando cheguei, à noite: já de longe as luzes me
encharcaram o olhar. Rever a casa antiga, doce lembrança, por
entre árvores, janelas conhecidas. Quero dizer do longe e da
saudade, madrugadas insones, do distante. Quero, num átimo,
o instante dos instantes, relembrando a eterna infância adormecida.
Nâo é preciso. Os rostos sorridentes abrem mansamente a porta clara.
E o gosto dessa espera repartida dilui-se à luz do brilho das janelas.

Katya Chamma 

[do livro "Dança de Espelhos"]



 Escrito por musician às 11h23 [] [envie esta mensagem]



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ZARABATANA
 
   

Você persiste no meu peito,
dardo de zarabatana
que um índio imaginário e só
cravou no meu destino.
                 
                 
Você me dói
a vida inteira

nesse açoite bárbaro
um ritual
canibal
observando a caça.
  
  
Você,
trapaça do caminho,
agarrado, assim, no meu destino dividido,
no surto ensandecido desse amor,
no surto endoidecido desse amor perdido,
no surto ensandecido desse amor perdido,
traiçoeiro e só.
       
Zarabatana.

         
[Kátya Chamma] 

                                     Escute a música "Zarabatana" aqui  http://musicianblue.blog.uol.com.br/  



 Escrito por musician às 13h39 [] [envie esta mensagem]



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Entre a impossibilidade e o talvez,
                 
     nem sempre o risco
                   mas a sensatez,
                       nem sempre ensaio
                            mas definitivo o gesto,
                                            infinitivo o verbo, 
                                                                fluidez.
                      
     
Que, às vezes, peco pela retidão do olhar e da intenção.
             
Como se o dom de ser sutil viesse, não da certeza mas do
coração das coisas mais voláteis. Dessas minúcias todas,
delicadas, onde um olhar suave dissimula o óbvio. 
                          
                   
                  
Katya Chamma

[do livro "Dança de Espelhos"]



 Escrito por musician às 15h14 [] [envie esta mensagem]



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Das sombras a luz talvez brotasse como a redenção de
todos os temores. Se deixasse, a dor de seus amores
transmutada em luz, transbordaria.
 
Acontece que a alma, peregrina, teima vôos solos
descabidos e o que seria - se pudesse - simples,
perde-se, confuso, ao infinito.
 
Desperdício de luz e habilidade.
Permitisse, e o mundo mais bonito. 
   
                  
Katya Chamma

[do livro "Dança de Espelhos"]



 Escrito por musician às 22h18 [] [envie esta mensagem]



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teus olhos
teu gosto 
o rosto...
as mãos 
teu sorriso 
a boca... 
            
que louca sensação
me invade
                         
      porque tudo vem em ondas
      no tempo da saudade. 
                           
                   
                  
Katya Chamma

[do livro "Dança de Espelhos"]



 Escrito por musician às 14h01 [] [envie esta mensagem]



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Espera! Que agora um vento antigo, à minha porta, chegou
trazendo essa noção da hora e já não é certeza o sonho
de que venhas.  Hold on, hold on ! Minha cabeça gira em
espirais, confusa e, sob a minha blusa, o coração dispara
um mote inquieto. Decerto algum temor antigo me rondando
o quarto. Que essa demora tua despertou meus medos e o teu
compasso ameno arrefeceu o meu. E eu, de aguardar-te tanto,
indefinidamente, agora não sei mais... Espera! 
           
                  
Katya Chamma

[do livro "Dança de Espelhos"]



 Escrito por musician às 12h44 [] [envie esta mensagem]



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Eu internetearia
Por que a vida é doce 
 
      mas amarga fosse,
      e ainda assim, 
 
                     incólume.
                 
                     
E internetearia
Por que o riso é arte
 
      mas fosse agradar-te,
      e ai de mim, 
 
                     retórica.
                  
                    
Ou internetearia
Por que o vício é lento
    
      mas fosse o momento,
      além do sim, 
       
                     anárquico. 
           
        
                  
Katya Chamma

[do livro "Dança de Espelhos"]



 Escrito por musician às 03h18 [] [envie esta mensagem]



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O Espelho e a Face
                  
Eu bem tentei acreditar no espelho
mas o longe de tuas mãos nesse cristal partido
é mais que a voz da imagem me ecoando esperas.
Tentei o ver antigo, o improvável gesto
e através dos largos véus da tua face.
Sobrou da insanidade o ácido sentido,
sobrou o instante exíguo, o infinito olhar.
As horas todas rasas e, no fim do abismo,
reflexos trincados no espargir das horas. 
     
                  
Katya Chamma

[do livro "Dança de Espelhos"]



 Escrito por musician às 17h50 [] [envie esta mensagem]



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te beijo na boca

         na boca da noite

                 vertigem da web

 

[musician]



 Escrito por NandaBlue às 23h03 [] [envie esta mensagem]